A Rota ‘Memorial do Convento’

A partir da obra literária de José Saramago

A Rota ‘Memorial do Convento’

A obra literária de José Saramago Memorial do Convento dá origem a uma rota cultural que é possível percorrer ao longo de três municípios: Lisboa, Loures e Mafra. O percurso definido traça uma linha que vai da Casa dos Bicos (sede da Fundação José Saramago) ao Palácio de Mafra e que pode ser feito na sua totalidade (58 quilómetros) ou por partes.

O projeto, que resultou de uma parceria entre as Câmaras Municipais de Lisboa, Loures e Mafra, é dinamizado a partir deste mês pela Fundação José Saramago que, em datas a anunciar, irá promover visitas guiadas e leituras encenadas, entre outras iniciativas. A Rota Memorial do Convento, uma homenagem a José Saramago, segue o texto do livro e revela monumentos históricos e paisagísticos do século XVIII, entre Lisboa e Mafra, passando por Loures, bem como pontos de interesse patrimonial situados em Sacavém, Santo António dos Cavaleiros, Unhos, Santo Antão do Tojal, Fanhões, Malveira, Mafra (convento e vila velha) e Cheleiros.

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Lisboa

Ponto 1 – Casa dos Bicos | Fundação José Saramago

A Casa dos Bicos, cuja edificação é atribuída a Francisco de Arruda, destacava-se das restantes casas nobres da zona devido à sua original fachada sul. Foi construída provavelmente a partir de 1522, por ordem de Braz de Albuquerque, fidalgo cortesão protegido de D. Manuel I e filho de Afonso de Albuquerque. No livro de Saramago é referida como a “Casa dos Diamantes”.

Ponto 2– Terreiro do Paço (atual Praça do Comércio)

A muralha fernandina que corria ao longo da margem do Tejo desaparece dando lugar a uma larga praça, o Terreiro do Paço, que veio a revelar-se elemento urbano determinante na imagem de Lisboa. Na obra literária é o ponto de partida de uma das histórias mais emblemáticas: a do padre Bartolomeu de Gusmão e da invenção da máquina voadora.

Loures

Ponto 3 – Miradouro do Rio Trancão

Porto fluvial que, segundo as Memórias Paroquiais, no séc. XVIII, apresentava dois núcleos urbanos: Sacavém de Cima e Sacavém de Baixo. Em 1759 havia três cais: o de Nossa Senhora, o da Barca e o do Peixe, atestando o dinamismo económico local. Em 1730 foi aberto o Esteiro da Princesa, entre Lisboa e Santo Antão, permitindo o transporte dos sinos e das estátuas italianas para o Convento de Mafra.

Ponto 4 – Igreja de São Silvestre

Templo de uma só nave, com uma fachada seiscentista e torre sineira, cuja existência data do séc. XIII. No seu interior destacam-se altares de talha dourada do séc. XVIII, imagem da Pietá dos finais de século XVII e painéis quinhentistas com cenas da vida de São Silvestre, atribuídos ao Mestre de São Quintino.

Ponto 5 – Museu Municipal de Loures

O Museu, instalado no antigo Convento Franciscano Arrábido do Espírito Santo da Mealhada, edificado em 1574, tem como missão o estudo, salvaguarda e divulgação da história e património local. Na antiga sacristia pode visitar-se o Centro de Interpretação da Rota Memorial do Convento.

Ponto 6 – Praça Monumental de Santo Antão do Tojal

Praça de grande aparato, construída e remodelada no séc. XVIII com a assinatura do arquiteto italiano António Canevari. O espaço revela um conjunto monumental barroco composto pelo Palácio dos Arcebispos, Igreja Matriz, Fonte-palácio e Aqueduto. No livro, Baltasar parte de Santo Antão do Tojal, conduzindo uma junta de bois com materiais para a construção do Convento de Mafra.

Ponto 7 – Palácio dos Arcebispos

Palácio de arquitetura residencial e religiosa, barroca. No interior conserva magníficos painéis de azulejos do século XVIII. Foi residência de verão de D. Tomás de Almeida (primeiro patriarca de Lisboa) que no palácio recebeu várias visitas do Rei, quando este se deslocava a Mafra para acompanhar a Real Obra.

Ponto 8 – Igreja de São Saturnino

Templo que data de 1575 e que foi construído a pedido da população que, em dias invernosos, de muita chuva, tinha dificuldade em deslocar-se a Santo Antão do Tojal. Destaque no interior para o coro joanino, a pia batismal e a pintura de São Saturnino atribuída a Pedro Alexandrino de Carvalho. A Igreja foi restaurada em 1796, após o Terramoto de Lisboa.

Mafra

Ponto 9 – Largo da Feira na Malveira

O Mercado da Malveira, ainda hoje um dos mais emblemáticos da apelidada região saloia, foi instituído após a concessão da feira anual por D. Maria I, em 1782. Destinava-se ao abastecimento de gado para o consumo em Lisboa e arrabaldes. Ao comércio do gado juntou-se a venda dos mais diversos produtos ligados à agricultura, pecuária, pesca, têxteis e calçado.

Ponto 10 – Igreja de São Miguel de Alcainça

O documento mais antigo relativo à igreja data de 1270. O atual templo, alvo de várias intervenções arquitetónicas nos séculos XIV, XVII e XIX, inclui a capela-mor que alberga um grande retábulo de talha e um de teto de caixotões, a que foi associada uma nova fachada e a torre sineira.

Ponto 11 – Palácio Nacional de Mafra

Um dos mais imponentes e notáveis monumentos de Portugal e da Europa, o Real Edifício de Mafra integra um Palácio, uma Basílica, um Convento com a sua cerca (atual Jardim do Cerco) e uma Tapada. Foi classificado como Monumento Nacional e, pela UNESCO, como Património Mundial. No livro relatam-se os oito dias de transporte da pedra Benedictione, que encima o pórtico da Basílica, na Galeria da Bênção.

Ponto 12 – Igreja de Santo André de Mafra

Um excelente exemplo do gótico paroquial, a Igreja de Santo André, construída entre os séculos XIII-XIV, alberga no seu interior os túmulos dos donatários de Mafra, D. Diogo Afonso de Sousa e D. Violante Lopes Pacheco. O monumento, restaurado no século XX pela Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, foi classificado como Monumento Nacional, em 1935.

Ponto 13 – Igreja de Cheleiros e Cruzeiro

Referida no reinado de D. Afonso II (séc. XIII), a igreja foi objeto de várias campanhas de obras. A transformação principal ocorreu na época manuelina, com a construção de uma nova capela-mor que exibe a esfera armilar (emblema de D. Manuel I) e as armas dos donatários. A incorporação de diversos materiais romanos e paleocristãos sugere a existência de uma villa romana na zona.

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