Bate-Estradas

Joana Brito Silva

teatro
22 janeiro a 12 fevereiro 2022
sáb: 16h
Quinta Alegre
Bate-Estradas

Nos anos de 1960, com o eclodir da Guerra Colonial, o Movimento Nacional Feminino, organização enfeudada nos interesses propagandísticos da ditadura salazarista, reinventou o conceito de “madrinha de guerra”, imanação da figura surgida na Primeira Grande Guerra, em França, por obra de católicos conservadores, e bastante popularizada em alguns países beligerantes, como Portugal. Ora, o papel da “madrinha de guerra” consistia em colocar uma jovem rapariga a trocar correspondência com um soldado em campanha, uma forma de o motivar psicológica e emocionalmente.

Por ocasião do último Festival Todos decorrido na freguesia de Santa Clara, Joana Brito Silva preparava um percurso performativo quando conheceu uma antiga “madrinha” que 50 anos depois, e à semelhança de inúmeras mulheres, continua casada com o soldado com quem se correspondia. Foi o início de um imenso trabalho de pesquisa que permitiu à autora mergulhar no passado colonial e fazer “o desenho de um Portugal encerrado num sistema patriarcal, conservador, racista, pouco alfabetizado e pobre”, cruzando-o com a geografia social e humana de um “território extremamente rural (apesar de situado na capital) onde coabitam uma população idosa e com pouca escolaridade, que se fixou no local nos anos 1960, e uma população jovem, em grande parte com origens africanas.”

Ao contrário da versão apresentada em setembro no Todos, que decorreu ao ar livre nos terrenos de uma antiga casa senhorial da freguesia, esta nova versão de Bate-Estradas é concebida para a Quinta Alegre, um palácio, logo um “lugar onde a maioria destes corpos nunca pôde ser protagonista”, que a Câmara Municipal de Lisboa tornou recentemente um Lugar de Cultura, ou seja, um espaço de fruição cultural de proximidade.

As récitas agendadas são gratuitas, mediante marcação prévia para os contactos em epígrafe, estando o espetáculo também disponível para o público escolar.

Frederico Bernardino/Agenda Cultural de Lisboa jan.2022

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Entrada gratuita, mediante marcação prévia para quinta.alegre.lc@cm-lisboa.pt | T. 218 174 040

Sessões para escolas, por marcação prévia

*No dia 5 de fevereiro, após o espetáculo, conversa moderada pela jornalista Catarina Gomes, com a autora Joana Brito e Silva; os moradores e participantes na performance teatral e Joana Pontes, investigadora e realizadora.


Ficha técnica:

Festival Todos. Joana Brito Silva, criação, direção e interpretação; Rafael Barreto, coreografia; Arminda Farinha, Bianca Sousa, Chinesa, Conceição Pereira, Custódia Carrilho, Deolinda Silva, Ducher Mango, Emília Baeta, Francisco Carrilho, Gracinda Roque, Júlia Soares, Sameiro Silva, Teresa Freitas e bailarinos da Associação Lugar Comum, participantes.

Local:

Campo das Amoreiras, 94 218 174 040

quinta.alegre.lc@cm-lisboa.pt