Livros espetaculares (mesmo!)

literatura
15 janeiro a 28 fevereiro 2021
Livros espetaculares (mesmo!)

Nestes dias em que se está de volta a casa, a programação online do Lu.ca – Teatro Luis de Camões continua, por isso deixa-te inspirar pelas sugestões de leitura de Sara Amado, Livros espetaculares (mesmo!).

RestartRestart é uma palavra em inglês que deves conhecer do final jogos, por exemplo, quando perdes “a vida” e te oferecem a hipótese de tentares outra vez, de renasceres, de recomeçares.

Recomeçar é sempre emocionante. Recomeçar guarda um leque de possibilidades que não nascem do vazio. Ao contrário: significa começar outra vez, começar sem ser do nada, de um novo princípio, já cheio de história.

Essa história implica, claro, responsabilidade. Porque já sabemos algumas coisas, temos mais obrigação de fazer escolhas fortes, de percorrer caminhos direitos, de tomar decisões corajosas, de encontrar respostas certas.

Os “Loucos anos 20” aconteceram há 100 anos. Que irão chamar os historiadores aos anos 20 do nosso século? Mal começou, 2020 trouxe uma reviravolta difícil à nossa vida. A pandemia obrigou-nos a mudar tudo: primeiro parecia que seria por uns dias, depois por uns meses e afinal está a ser por “uns tempos”. Uns tempos estranhos.

Mas começar um ano é uma oportunidade única e simbólica de repensar, refazer, resolver, responder, reconstruir, recomeçar.

Os cinco livros que Sara Amado escolheu para começar este ano e recomeçar a História são livros que nos trazem histórias destes res : repensar, reconstruir, recomeçar, reutilizar e readaptar. Porque é importante não baixar os braços, mas é também fundamental — sabemos isso agora, bem demais — , sabermo-nos adaptar a coisas novas e difíceis e conseguir transformá-las em coisas muito boas.

Repensar — Eu vou ser, de André Letria e José Jorge Letria, Pato Lógico

Desde que nascemos somos um poço de possibilidades. A nossa história vai-se fazendo de pessoas e acontecimentos, de decisões e caminhos, de sucessos e erros. Se é certo que há muita coisa que nos acontece sem que tenhamos qualquer hipótese de controlar, somos realmente os verdadeiros senhores da nossa história e podemos ser nós a escolher as páginas que queremos virar, para escrever e desenhar o nosso futuro. Ora experimentem.

Reconstruir — O que vamos construir – Planos para um futuro comum, de Oliver Jeffers, Orfeu Mini

O que vamos construir? Qualquer coisa de magnífico, claro! Não estamos sozinhos neste mundo e com companhia tudo é mais fácil. É bom fazer planos, mas também é necessário saber que nem sempre tudo corre como imaginamos. Reconstruir é construir de novo, sobre o que já existe. Reconstruir é reagir. É a possibilidade de fazer outra vez e diferente — melhor! Temos as ferramentas e a vontade. Agora é só pôr mãos à obra!

Reutilizar — A manta do José, de Miguel Gouveia e Raquel Catalina, Bruaá

Gostamos de ter coisas novas. Mas há algumas tão especiais que mesmo velhas, rasgadas ou partidas continuam a ser as nossas preferidas. Quem não nos conhece, nem à nossa história, por vezes não percebe o valor que vemos nessas coisas tão estranhamente especiais.

O final desta história, desta manta, é um outro início e uma promessa de infinito. Tudo tem sempre uma solução e um recomeço possível. É só preciso ter imaginação e vontade.

Readaptar — O lobo, o pato e o rato, de Mac Barnett, ilustrado por Jon Klassen, Orfeu Negro

Esta história parece começar por um final infeliz: o lobo engole o rato. Mas este, ao chegar à gruta escura que é a barriga do lobo-vilão, depara-se com um outro habitante: o pato. Este decidiu receber a sua situação de “engolido” (à partida uma situação trágica) de braços abertos e vive uma boa vida naquela negra caverna. Por vezes o que nos parece terrível à primeira vista não é afinal assim tão mau. E pode mesmo, se fizermos por isso, vir a ser uma coisa maravilhosa.

Recomeçar — A viagem, de Francesca Sanna, Fábula – 20|20 editora

Para muitos de nós, fazer uma viagem é uma coisa boa pela qual esperamos sempre ansiosamente. No ano que passou viajámos menos e todos temos saudades desses dias em que tudo é uma novidade e espanto. Mas há muita gente para quem “viagem” é sinónimo de tempo de sofrimento e incerteza. Ao mesmo tempo que guarda um sinal forte de esperança num futuro melhor, de um recomeço num outro lugar de possibilidades. Um lugar onde o futuro pode enfim acontecer.