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Enoch Arden

Nuno Vieira de Almeida e Rita Blanco

literatura, música
14 novembro 2021
dom: 17h
Centro Cultural de Belém
Enoch Arden

Basicamente a definição de melodrama refere uma obra, ou parte dela, em que o texto é declamado sobre música. Apesar de algumas óperas terem momentos de melodrama –Fidelio ou A mulher sem sombrapor exemplo – diversos compositores dedicaram a esta prática musical obras inteiras.

Strauss compõe em 1896/97 sobre texto de Alfred Tennyson o melodrama Enoch Arden, para voz e piano. A obra situa-se entre os poemas sinfónicos Assim falava Zaratustra de 1896, e Dom Quixote de 1897 e, como estes, pode considerar-se já uma obra de maturidade para um compositor com 33 anos que tinha ainda uma longa e criativa carreira à sua frente. Foi com Enoch Arden que Strauss obteve na altura um sucesso retumbante, ainda maior do que o conseguido com os poemas sinfónicos, tendo efectuado inúmeras digressões com o seu dedicatário, Ernst von Possart, actor e director teatral.

Enoch Arden é um dos mais longos melodramas existentes e um dos mais bem construídos. A temática remete-nos a Ulisses e Robinson Crusoe, mas a melancolia do marinheiro que perde e reencontra a família de novo formada, julgando-o morto, é totalmente romântica e encontra a sua confirmação genial na música de Strauss. O piano dá a chave, por assim dizer, a muitíssima coisa no texto, tornando-se um parceiro indispensável à leitura. Cada personagem tem musicalmente o seu «motivo conductor» e o entrosamento dos vários temas, tratado com uma modernidade romântica (uso o choque de conceitos propositadamente)  típica do compositor, acaba por apontar o caminho a muitas obras cénicas tardias. Trata-se realmente de uma obra-prima.

Ficha técnica:

Programa:
Richard Strauss (1864-1949) Enoch Arden – melodrama para narrador e piano sobre poema de Tennyson (tradução de Vítor Moura)

Declamação: Rita Blanco
Piano e direção: Nuno Vieira de Almeida


12 € e 15 €

Local: