Um regresso às origens

Um regresso às origens

'Feira Dell'Arte' no Teatro Meridional

  • Rosinda Costa e Emanuel Arada interpretam as personagens da commedia dell'arte
     Rosinda Costa e Emanuel Arada interpretam as personagens da commedia dell'arte
  • Um espetáculo dirigido por Miguel Seabra a partir de texto de Mário Botequilha
     Um espetáculo dirigido por Miguel Seabra a partir de texto de Mário Botequilha

Miguel Seabra e o Teatro Meridional estão de regresso à commedia dell’arte, revisitando um espetáculo histórico da companhia: Feira Della’Arte de Mário Botequilha. Para além do texto atualizado e de uma nova conceção cénica, Emanuel Arada e Rosinda Costa “substituem” Dinarte Branco e Carla Maciel no elenco. Em cena, até 3 de junho.
 
“A commedia dell’arte está na génese da criação do Teatro Meridional”, refere o encenador Miguel Seabra, relembrando que o primeiro espetáculo da companhia que dirige com Natália Luiza foi, precisamente, uma incursão neste género secular, reconhecido pelo “seu humor estonteante e a sua corrosiva acutilância política.”
 
Feira Dell´Arte, na sua versão Pantalone, remonta a 2001 e foi uma das primeiras colaborações de Mário Botequilha, autor do retumbante sucesso Al Pantalone (2014), com o Teatro Meridional. A ideia original surgiu a Miguel Seabra há uns bons anos, quando tinha como “vizinha”, a cada setembro, a Feira da Luz, em Carnide. “Naquele ambiente festivo, imaginei como seria se dois bonecreiros anunciassem um espetáculo de commedia dell’arte”…
 
Por entre o burburinho de uma feira de arrabalde, encontramos dois atores prestes a irem “direitos ao estomago do público com a comédia”. Vestindo ora as peles de Columbina e Zanni, os eternos servos de Pantalone, ora as de Isabela e Otávio, os atores passam em revista o estado a que chegámos, não esquecendo os políticos que roubam à descarada ou os senhores para quem tudo vale para amealhar mais uma moedinha.
 
À sombra de um mundo em que “até Trump pode vir a ser agraciado com o Nobel da Paz”, Miguel Seabra revisita o texto de Botequilha, atualiza-o, e recria o espetáculo de 2001, mantendo o espírito sempre são e até subversivo de “falar sobre coisas sérias através de um género teatral que tão bem sabe brincar com a realidade”.
 
[texto de Frederico Bernardino | fotografias de Humberto Mouco/CML-ACL]

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9 mai a 3 jun/18
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