Nos 25 anos do Teatro da Garagem

Nos 25 anos do Teatro da Garagem

Um caso singular do teatro português

  • Carlos J. Pessoa e Maria João Vicente no Teatro Taborda, atual casa do TdG
     Carlos J. Pessoa e Maria João Vicente no Teatro Taborda, atual casa do TdG
  • 'Café Magnético' (1993), um dos espetáculos marcantes da companhia
     'Café Magnético' (1993), um dos espetáculos marcantes da companhia
  • Da autoria de Carlos Pessoa, 'António e Maria' (2009) nos 20 anos do TdG
     Da autoria de Carlos Pessoa, 'António e Maria' (2009) nos 20 anos do TdG
  • O clássico 'Hamlet' (2012) foi uma das raras incursões do TdG pelo teatro de repertório
     O clássico 'Hamlet' (2012) foi uma das raras incursões do TdG pelo teatro de repertório

A companhia fundada por Carlos J. Pessoa em 1989 está de parabéns e comemora, entre novembro e dezembro, duas décadas e meia de teatro “feito em português e por artistas portugueses, que reflete um tempo e é espelho do mundo em que vivemos”. A nova criação da Garagem chama-se Teatro Twitter, e é o ponto alto da festa de aniversário.

O Teatro da Garagem (TdG) é, provavelmente, um dos casos mais singulares do teatro português. A companhia, atualmente liderada pelo dramaturgo e encenador Carlos J. Pessoa e pela atriz Maria João Vicente, tem primado ao longo dos anos por manter uma estrutura consolidada, composta por um autor e encenador residente e uma equipa artística estabilizada. Ao longo de duas décadas e meia, o TdG tem levado ao palco, na sua larga maioria, textos originais de Pessoa. O autor, que chegou ao teatro pela vontade de “ter um laboratório para sentir e influenciar o destino do mundo”, é um prolífico dramaturgo, tendo assinado largas dezenas de peças que marcam um percurso onde, com Teatro Twitter, figuram já 78 criações.

“Entendo a arte como um lugar,” explica, “e o TdG como um microcosmos onde a cultura é aquilo que nos identifica”. E sublinha: “o modo como abordamos o teatro, campo de pesquisa e experimentação de formas e linguagens, e o amor incansável que lhe dedicamos, faz-nos acreditar no que fazemos. Cremos na nossa língua, no nosso país, nesta peculiaridade de ser português – e lutamos por isso. São estas coisas que tornam o nosso teatro raro. Recusamos ser uma câmara de eco e detestamos quando nos colocam rótulos”. Pessoa recorda, sem esconder alguma indignação, quando um crítico alemão os considerou “introdutores do pós-dramático em Portugal”. “Irrita-me que venha alguém de fora, que não percebeu nada de nada, colocar-nos um rótulo e, pior, os que cá estão acabarem por lhe dar ouvidos”.

No palco do Teatro Taborda, onde a companhia reside desde 2005 (depois de ter ocupado uma garagem em Abóboda, nos arredores de Lisboa, e um armazém no Poço do Bispo), o TdG acredita produzir “uma arte que burila o projeto de um país, ou não fossem as pulsões dramáticas geradoras de ação”. Por esta forma de ser e estar na vida e na criação artística, assumem-se como serviço público. E mais, há o envolvimento com a comunidade local que, refere Maria João Vicente (atriz que está na companhia desde 1992, e é hoje um dos pilares da casa), “é sempre convidada a entrar no quarto escuro à procura do gato que não existe”. E há, claro está, “a oficina, a escola” por onde passaram dezenas e dezenas de atores, como Miguel Seabra, Marco Delgado ou Patrícia Portela, dispostos a pisar esse “território do novo, do desconhecido e do espanto”, que marca cada criação da companhia.

À boa maneira do TdG, Teatro Twitter, o espetáculo que assinala estes 25 anos, é mais um momento de risco. Convocando a linguagem das redes sociais para o palco, numa busca pelo sentido original do próprio teatro, surge uma experiência intermedial, construída por cenas curtas, filmadas e projetadas como sombras (referência à Alegoria da Caverna de Platão), em interação com mais de 25 atores que estão ou estiveram na companhia. De entre os “regressados” destacam-se Jorge Andrade, Carla Bolito, João Didelet, Miguel Damião ou Sílvia Filipe. Uma proposta arriscada, mas, como nos garante Maria João Vicente, “o dia em que deixarmos de correr riscos será o momento de acabarmos”. E, todos acreditamos que, pelo menos, virão mais 25!

[por Frederico Bernardino | fotografias de Francisco Levita]

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