Entrevista a Pedro Jóia

Entrevista a Pedro Jóia

Um 'Vendaval' de música no Misty Fest

  • © Rita Carmo
     © Rita Carmo

A 8.ª edição do Misty Fest está prestes a começar. Este ano, o cartaz conta com nomes como Gaiteiros de Lisboa (com os convidados Rui Veloso e Sérgio Godinho), Nathalie, André Barros & Myrra Rós, ou o guitarrista Pedro Jóia, que atua com um trio feito de amigos, no dia 15 de novembro, no Centro Cultural de Belém. O concerto conta com a participação de Mariza (de quem Pedro Jóia é diretor musical), e prevê-se uma noite muito especial. A fadista será 'obrigada' a sair da sua zona de conforto, com um repertório diferente do habitual e grandes surpresas. 

O projeto Pedro Jóia Trio estreou-se em 2014 e conta com a participação de Norton Daiello e João Frade, dois amigos seus. Trabalhar com amigos é mais fácil ou, por outro lado, torna mais difícil gerir as diferentes opiniões e personalidades?
Trabalhar com amigos é sempre melhor porque a partilha é dupla: musical e humana. Embora a experiência musical seja sempre uma experiência humana, portanto as duas são indissociáveis... O Norton e o Frade são dois companheiros incríveis e dois músicos únicos. Tenho muita sorte em poder dividir o palco com eles. Nunca estamos em desacordo, o que torna as coisas muito simples.
 
Atuar a solo ou enfrentar o público em trio é, certamente, muito diferente. O que o estimula mais?
Creio que para um músico e, em particular, um guitarrista, subir a um palco a solo é o seu principal desígnio. Tocar em trio obriga-nos a uma disciplina e prática diferentes. Não se trata de poder baixar a guarda um pouco, mas sim de gerir a energia de uma forma diferente, menos tensa.
           
Em junho passado, o trio deu um concerto muito especial ao lado de Ney Matogrosso. Ter o cantor brasileiro a cantar com o trio no Mosteiro dos Jerónimos foi o concretizar de um sonho?
O Ney é um querido amigo com o qual já percorri muita estrada. Cada vez que subi a um palco para acompanhá-lo fi-lo com uma alegria e entrega absoluta pois não existe outra forma possível. O concerto dos Jerónimos, em junho, foi ainda mais especial porque há anos que não o acompanhava, e o lugar onde teve lugar esse reencontro musical é um dos lugares mais incríveis do nosso país.
 
O Pedro já tinha trabalhado com o Ney Matogrosso quando esteve a viver no Brasil. Sente que essa experiência o mudou enquanto músico?
Tocar com o Ney é uma experiência incrível. Sim, claro que me mudou enquanto músico, na medida em que não passei por essa partilha artística de uma forma indiferente. O Ney é um artista absolutamente singular e irrepetível e isso senti-o no instante em que o conheci.

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  • ''A Mariza é uma artista que nunca sobe
  • a um palco que não seja para arrasar.''
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O trio atua no dia 15 de novembro no CCB, no âmbito do Misty Fest, com Mariza como convidada. O que se pode esperar deste concerto?
Espero uma noite de grandes emoções. O CCB é um espaço que me é muito querido e a Mariza é uma artista que nunca sobe a um palco que não seja para arrasar.
 
Por norma, o trio atua sem acompanhamento vocal (à exceção do concerto com Ney Matogrosso e agora com Mariza). É um desafio adaptar os instrumentos à voz?
Sim, é um desafio para nós, instrumentistas insaciáveis, criar espaço e conforto para um cantor ou cantora se nos juntar. Mas gostamos muito desse desafio e tentamos levá-lo da melhor forma. É um exercício de contenção e partilha muito rico.
 
Para além da atuação da Mariza, o concerto serve também de apresentação ao álbum Vendaval. Como definiria este disco?
O disco do trio, Vendaval, é isso mesmo que o nome sugere, um vendaval de ideias musicais. Mandamos as coisas para o ar e depois cada um que apanhe o que quiser...

Em relação à série especial de concertos Pedro Jóia Trio Convida, depois de Ney Matogrosso e de Mariza com quem gostaria o trio de trabalhar a seguir?
Não sei, ainda não pensei nisso... Poderá ser uma voz ou um instrumentista. A ocasião o ditará, certamente. Estamos abertos a tudo. Tem que ser alguém que traga muita emoção e alguma loucura.
 
Falando agora da programação do Misty Fest, que concerto é que não pode mesmo perder?
Gosto muito da linguagem dos Gaiteiros de Lisboa. São únicos. Será certamente um grande concerto.

[Por Filipa Santos]

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