Cinco filmes a não perder na Mostra de Cinemas Ibero-americanos

Cinco filmes a não perder na Mostra de Cinemas Ibero-americanos

As escolhas do curador Carlos Nogueira

  • "Ixcanul" de Jayro Bustamante
     "Ixcanul" de Jayro Bustamante
  • "El limonero real" de Gustavo Fontán
     "El limonero real" de Gustavo Fontán
  • "La obra del siglo" de Carlos Machado Quintela
     "La obra del siglo" de Carlos Machado Quintela
  • "Tempestad" de Tatiana Huezo
     "Tempestad" de Tatiana Huezo
  • "El viento sabe que vuelvo a casa" de José Luis Torres Leiva
     "El viento sabe que vuelvo a casa" de José Luis Torres Leiva

A Casa da América Latina associa-se às comemorações de Lisboa Capital Ibero-americana de Cultura 2017,  com a habitual mostra de cinema dedicada à filmografia ibero-americana. O evento tem, este ano, dois curadores: a cubana Teresa Toledo, programadora na Casa das Américas em Madrid e o português Carlos Nogueira, blogger e antigo programador do festival IndieLisboa e do programa da Gulbenkian, Próximo Futuro. A Agenda Cultural pediu a Carlos Nogueira para selecionar cinco títulos, dos muitos exibidos na mostra. Aqui ficam as suas sugestões.

Ixcanul de Jayro Bustamante (Guatemala)

  • Ixcanul não é apenas uma história isolada, a de Maria, uma jovem privada de liberdade tanto pela sua cultura como pela sua incultura, mas também um grito de socorro por parte de um modo de vida que o mundo aprendeu a ignorar. Os acontecimentos denunciados pelo filme são de uma gravidade extrema e convidam a refletir sobre a natureza do ser humano e o próprio conceito de sociedade, bem como a impossibilidade de viver hoje à margem desta. Comunidades que se tornaram estrangeiras no seu próprio país (apesar de constituírem a maioria da população); a ilusão dourada da emigração; a dupla opressão da condição feminina nas sociedades subdesenvolvidas: o mundo contemporâneo estampado na comovente história da perda de ilusões de uma jovem habitante de uma pequena comunidade rural guatemalteca.

 
El limonero real de Gustavo Fontán (Argentina)

  • A adaptação ao cinema de El limonero real de Juan José Saer parecia tarefa inglória, uma vez que o seu particular uso da língua, a minuciosa construção de cada um dos seus longos parágrafos e a detalhada descrição — de uma árvore, de uma caminhada por um bosque, de um rio, dos pormenores de uma refeição — complicariam qualquer estrutura cinematográfica clássica. Mas Fontán não é um cineasta clássico e optou por manter o fio narrativo da frágil trama, rodeando-o de imagens que correspondessem ao espírito e tom da obra. É a história de um homem que vive numa ilha e que vai, de barco, passar o Ano Novo com os seus parentes, viajando sem a mulher, que não abandona a casa há seis anos em luto pela morte do filho. O resultado é poético, límpido, nobre, verdadeiro; numa palavra, fascinante.

 
La obra del siglo de Carlos Machado Quintela (Cuba)

  • La obra del siglo foi rodado na CEN (Ciudad Electro-Nuclear), na província de Cienfuegos, muito perto de uma central nuclear abandonada cuja construção nunca chegou a terminar. Esse projeto real de grande envergadura, que o desaparecimento da URSS deixou em eterno suspenso, funciona como metáfora de uma desilusão, que os protagonistas do filme não podem deixar de ver todos os dias pela janela. Filho, pai e avô, três gerações de cubanos que na sua biografia conjunta atravessam mais de cinco décadas de luta, esperança e ocaso de uma utopia coletiva. O realizador não oculta a sensação de desesperança, embora injete nas personagens de ficção e nas suas fricções quotidianas mais do que um apontamento satírico, que não suaviza, mas torna mais suportáveis a dor e os sonhos perdidos.

 
Tempestad de Tatiana Huezo (México)

  • Com a intenção de trazer a humanidade de volta aos casos de violência e impunidade que se multiplicam no México, Tempestad expõe as experiências de Miriam e Adela, duas mulheres que sofreram na carne o dano colateral da endémica corrupção mexicana. A primeira, encarcerada injustamente numa prisão regida pelo narcotráfico; a segunda, há mais de dez anos sem notícias da filha, desaparecida num mais que provável sequestro. Ambas vivem em pontos distintos do país e não se conhecem, mas representam a mesma enfermidade nacional. O talento de Tatiana Huezo é transformar as histórias destas órfãs da justiça, das instituições e das autoridades, peões indefesos numa guerra invisível, numa reflexão sobre o sentimento de vulnerabilidade do cidadão comum que todos nós somos.

 
El viento sabe que vuelvo a casa de José Luis Torres Leiva (Chile)

  • Partindo de uma viagem do documentarista Ignacio Agüero a umas ilhas do sul do Chile, onde pretende investigar uma lenda sobre um Romeu e Julieta local, o filme acompanha o cineasta, que atua como mediador, protagonista e entrevistador, numa viagem impossível a um lugar onde se misturam o mito, a lenda, os preconceitos e as expectativas frustradas. Com grande simplicidade, elegância e humanidade, o filme vai-se construindo em frente à câmara: Agüero percorre a ilha, organiza castings, fala com os habitantes, e essas conversas desmontam a ideia preconcebida que o havia levado à ilha, deitando por terra a lenda, mas vão desvendando pouco a pouco outras realidades: um racismo latente, uma grande solidão, um saber viver apesar das dificuldades e tradições ancestrais que teimam em sobreviver.

[textos de Carlos Nogueira, curador da Mostra de Cinemas Ibero-americanos - No escurinho do cinema]

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Mostra de Cinemas Ibero-Americanos – No escurinho do cinema

2017

Cinema › Festivais
4 a 16 dez/17
Avenida da Liberdade, 175
1250-135 Lisboa

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