A Cerca Velha: um percurso

A Cerca Velha: um percurso

  • 1. Rua do Chão da Feira
     1. Rua do Chão da Feira
  • 2. Pátio D. Fradique
     2. Pátio D. Fradique
  • 3. Porta do Sol
     3. Porta do Sol
  • 4. Rua Norberto Araújo
     4. Rua Norberto Araújo
  • 5. Porta de Alfama
     5. Porta de Alfama
  • 6. Torre de São Pedro
     6. Torre de São Pedro
  • 7. Postigo de São Pedro
     7. Postigo de São Pedro
  • 8. Porta do Chafariz D' El Rei
     8. Porta do Chafariz D' El Rei
  • 9. Porta do Furadouro
     9. Porta do Furadouro
  • 12. Casa dos Bicos
     12. Casa dos Bicos
  • 13. Porta do Mar
     13. Porta do Mar
  • 15. Porta do Ferro
     15. Porta do Ferro
  • 16. Porta de Alfofa
     16. Porta de Alfofa

A Cerca Velha, que delimitou e defendeu Lisboa na época medieval, é recriada num circuito pedonal sinalizado que passa por Alfama, Castelo e Sé. O percurso Muralhas de Lisboa: Cerca Velha é inaugurado a 26 de setembro, no âmbito das Jornadas Europeias do Património. 

Com base numa rigorosa investigação histórica e arqueológica levada a cabo pelo Museu de Lisboa e pelo Centro de Arqueologia de Lisboa, o traçado da Cerca Velha pode agora ser conhecido num percurso pedonal sinalizado pelas ruas de Alfama. Os 16 totens informativos, colocados num trajeto circular entre a Rua do Chão da Feira e a Rua do Milagre de Santo António, orientam a descoberta de uma das zonas mais antigas de Lisboa através do sistema defensivo medieval que perdurou até à construção da muralha fernandina (1373-1375). 

O modelo urbano da Lisboa dos séculos XI e XII assemelhava-se ao de outras cidades implantadas em colina. No topo erguia-se a Alcáçova, zona distinta que incluía o castelo, edifícios religiosos e os palácios das elites, defendida por uma muralha própria. Fora dessa área e envolvendo o núcleo urbano ao longo da encosta até ao rio, estendia-se a linha defensiva a que se chamou Cerca Velha.

A investigação histórica e arqueológica permitiu identificar o traçado dessa muralha, recriada agora através de um percurso sinalizado por totens informativos situados em 16 locais.

1. Rua do Chão da Feira
A Cerca Velha ligava-se no topo da colina aos muros da Alcáçova. Estendia-se por cerca de 1250m e tinha 6 portas e mais de duas dezenas de torres, algumas das quais são ainda visíveis na malha urbana.

2. Pátio D. Fradique
Início do lanço oriental da muralha onde se conserva o mais extenso troço visível (86m). O palácio Belmonte (séc. XVI) integrou duas torres presumindo-se que a maior, a sul, tenha origem islâmica.

3. Porta do Sol
Na época islâmica dava acesso a uma necrópole, sendo por isso chamada Porta do Cemitério. Com a reconquista cristã adquiriu o nome que prevalece no Largo fronteiro ao antigo palácio Azurara (atual Museu da FRESS). Este edifício (séc. XVII) incorporou estruturas da muralha, destacando a torre visível na fachada.

4. Rua Norberto de Araújo
Ao longo desta rua, apoiado na escarpa rochosa, ergue-se o único troço visível da cerca da época islâmica. No topo e no vértice sul subsistem vestígios de duas torres.

5. Porta de Alfama
Os textos árabes do séc. XI chamam-lhe Porta das Termas por ficar nas imediações de um edifício termal. Enquadrada na antiga decumanus romana (rua que atravessava a cidade de nascente a poente) esta porta dava acesso ao arrabalde oriental e à estrada para Santarém.

6. Torre de S. Pedro
A existência neste local de uma nascente reforça a tese desta torre avançada se destinar à proteção de um ponto de abastecimento de água. Entre os finais dos séculos XIV e XV foi usada como prisão.

7. Postigo de S. Pedro
O pano de muralha visível ligava a Torre de São Pedro ao troço da cerca que infletia em direção ao rio. Era um dos limites da Judiaria de Alfama criada no séc. XIV e extinta após 1496.

8. Porta do Chafariz d’ El Rei
Foi aberta na muralha entre o final do séc. XIII e o início do séc. XIV com a deslocação do Chafariz d’ El Rei, um dos mais importantes no abastecimento de água à cidade, para este local.

9. Porta do Furadouro
Era a Porta do Estreito na época islâmica. No séc. XIV, por ficar junto à praia do Furadouro, foi-lhe atribuído o mesmo nome. A importância desta porta advém da ligação a um cais referenciado desde a época medieval cristã.

10. Postigo Marquês do Lavradio
Terá sido aberto para serventia do Palácio do Marquês do Lavradio construído no séc. XVII. Através deste edifício fazia-se a circulação pública entre a rua de S. João da Praça e o rio.

11. Arco da Conceição
Assinalado desde o séc. XV foi aberto para facilitar o acesso à Fonte Nova localizada extramuros. No séc. XVI era conhecido como Arco da Preguiça.

12. Casa dos Bicos
Edificada no séc. XVI por Brás de Albuquerque. No interior conservam-se vestígios arqueológicos representativos da permanência do traçado defensivo desde a época romana até à época medieval que integram o recém- inaugurado Núcleo Arqueológico do Museu de Lisboa.

13. Porta do Mar
Poderá corresponder a uma passagem identificada desde a época islâmica. Fontes do séc. XVI assinalam a existência neste local de um posto de venda de sal. O arco de passagem ligava o Terreiro do Sal à atual Rua das Canastras.

14. Porta do Mar
Documentos árabes do séc. XI descrevem uma Porta do Mar onde embatiam as águas do Tejo na maré cheia, que poderá corresponder a esta passagem. No vértice do lanço de muralha onde se abria, erguia-se uma imponente torre albarrã (avançada face à cerca) de grande importância na defesa da entrada do Tejo.  

15. Porta do Ferro
Era, desde a época islâmica, a mais importante entrada da cidade. Chamada Porta Grande, dava acesso à mesquita maior, ao mercado e aos banhos públicos. Após a conquista cristã passou a ser designada como Porta do Ferro e fazia a ligação à Sé Catedral.

16. Porta de Alfofa
Correspondia no período islâmico à Porta do Postigo de onde partia o caminho de circunvalação da Alcáçova e o acesso aos arrabaldes ocidentais. A designação Porta de Alfofa , posterior à tomada cristã da cidade, identificava uma passagem “pequena que deita para um beco ou travessa”.  

NOTA: Para o apoiar ao longo do percurso, a Câmara Municipal de Lisboa preparou um folheto desdobrável com o enquadramento histórico e outras informações úteis sobre Muralhas de Lisboa: Cerca Velha. O folheto é de distribuição gratuita e pode ser obtido nos postos de atendimento e equipamentos municipais, nomeadamente, na Casa dos Bicos, Elevador do Castelo, Museu de Lisboa - Santo António, Castelo de São Jorge ou Paços do Concelho.

[textos de Paula Teixeira | fotografias de Catarina Bandeira]

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